terça-feira, 3 de novembro de 2009

By Caruaru


Sempre quis conhecer São Paulo
De cá, as pessoa sempre dizia ter visão com os prédio
Eu sempre soube que ia morar num desses bem grande

Já fez mais de um ano que você se foi mundo afora atrás de trabalho duro
Mas que vai sarvar as boca da gente daqui
Não sinto fome de comida só não
Sinto fome do teu cheiro, dos teus abraço

Do teu chamego

De saber que mesmo sem chuva a gente vai se molhar
De querer sair dançando no ar contigo...
De te acordar

Um dia meu nego eu vou te encontrar
Deixo o menino com mainha e vou
Tenho coragem de enfrentar o mundo contigo
De seguir sozinha debaixo desse sol pra poder te ter em meus braços

Só preciso que você me responda essa carta me dizendo se eu vou
E se consegue ver um serviço pra mim
Pode ser de quarquer coisa

Nosso menino vai crescer com orgulho de nós
Não tem coração que não sinta tanto quanto esse meu aqui

Comprei a passagem,
To chegando amanhã, depois.
Na Rodoviária da Capital.
De lá te espero.
Te ligo.

Te amo.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Crackstrófico


Coisas estranhas acontecem aqui
Seres outros desembarcam com suas toxinas em praças desta e de várias cidades
Nem Recife nem Rio de Janeiro escapam

Uma overdose de atitudes estranhas mostram que estamos à mercê de nossos próprios medos
Medo de ir
Medo de vir
Medo de existir

Tinha passado recentemente por um susto e achei que já ele bastava
Mas quando cheguei aqui vi gritarem
Coisas estranhas acontecem também aqui

Não que essa droga sustente o corpo sem jamais derreter a cabeça
Não que a loucura e a permisividade não possam tomar conta de nós
Não que a noite possa ser apenas mais uma dentre as mil e uma que temos
Não que nossos cheiros não possam sem exalados por intermédio dessa chuva
Não que possamos ser animais as vezes

Nada substitui o óbvio
Nada intermedeia o sensível
Nada vira outro sem que eu e você viremos primeiro
O estopim pode matar
E o devaneio suicidará a todos aqueles que não terem as mãos e os pés presos em algum lugar

A cidade é viva e continua morrendo
Seremos dominados por vultos humanos geneticamente modificados provenientes da coca.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

o beijo de iasã e iemanjá_parte_01

toco todo o teclado de teu piano
com cada parte do meu corpo quente
todos os dedos entrepassados em cada tecla de ambar que exala o cheiro doce de um líquido excomungável, alicerce para a demora em sentir calada
a intensa vontade se sentir infindáveis contrações ulterinas
étereo
teu suave tom de voz que manso,
emancipa meu poder de exaurir a culpa
de fazer tudo em não dizer nada
sempre vem assim, de noite, em silêncio.
meus mistérios que vão em cada nota sentida
nesse teu corpo inflamável e denso
conspirador e trêmulo ao perceber em meus seios
os maus lençois para teu inferno
constante sensação de alívio em beber absoluta, duas, três ou mais doses de vodka
saliente desejo que pairá sobre esse meu céu derretido no asfalto quente
e esvoaçante sob o mar que traz definitivamente a paz quando chega a hora de ir embora
e entender a importância de não se dizer adeus

evaporando...


eis que cai sobre mim uma estrela,
estrela essa que serve como conta gotas
pra cada gota de suor que cai do meu céu
a tal ponto de invadir a veia
com monóxido de carbono
a vida vai sendo suprimida por viagens
pirotescas e insanas
apenas cumprindo tarefas de sol à pino
em silêncio de madrugada
em eterno nossas vidas vão assim,
se descruzando
exacerbando nossas emoções anestésicas a long time..
i see your smile in my face
na solidão há força da magia
de sentir-se acompanhado
ainda estamos vivos enquanto conseguirmos repudiar a dor
nessa noite, serei nova
acaba mais uma etapa
continuo amando
estou viva

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Da Lagoa Rodrigo de Freitas ao Pará



Sábado – 14 de fevereiro de 2009.
O dia começou chuvoso como tantos outros na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Aqui, no verão, dias carregados se tornam inevitáveis e chuvas torrenciais se tornam bastante desagradáveis. Mas isso não me intimida nem um pouco. Gosto mesmo de dar pinta, andando de bike na Lagoa, sujar um pouco roupa de lama, me sentir orgânica. Nesse paraíso poluído, ainda resta uma das vistas mais bonitas da cidade. Nada de contratempos, quem está na chuva é para se molhar. E definitivamente, boas gargalhadas e lindas voltas completas de bicicleta á beira do caos, deixam mulheres suburbanas e pobres mais contentes e de pernas ainda mais grossas. Super recomendável!

O grande desafio deste sábado é conseguir chegar vivo até a ciclovia que dá na Lagoa. Isso porque vivemos numa cidade de natureza protuberante, cercada de morros e praias poluídas, gente bonita, saudável, que corre todos os dias e para compensar bebe cerveja pracaralho e gosta de correr riscos, obviamente. O que de fato acontece é que vivemos numa cidade esmiuçada de mesquinharia e falta de senso. Nada de ajudar o pedestre e o ciclista temos que brigar por cada pedacinho da calçada e ponto. É cachorro, gente, pivete, damas da noite chegando da madrugada, afinal de contas, o carioca é boêmio por indiscrição e a Zona Sul cada dia que passa se torna à região mais disputada por todos aqueles que fingem querer ter qualidade de vida. No grau do desafio, tento atravessar a caótica Rua Voluntários da Pátria rumo a Lagoa sem me suicidar, é claro. E mais desafiante ainda é conseguir chegar até a ciclovia respirando fundo e mantendo a simpatia. Estamos num novo tempo, Shanti On. Tempo em que o homem morrerá carbonizado e que conseguir andar a pé será artigo de luxo, já que calçadas estão cada vez mais interditadas para obras de melhoria urbana.

Quem nunca viveu uma vertiginosa história de amor? Quem nunca se deparou com a sensação gélida de ver seu ser amado se escondendo em ares puros e distantes? Depois de dias enclausurada no meu cubículo metro quadrado chamado vulgarmente de quarto, consigo chegar à civilização novamente. Ainda meio bêbada dessa história, ainda meio tirando onda de poeta de bar, ainda meio sem destino, mas certa de que o melhor a fazer em tempos de conturbações amorosas, é seguir a premissa eterna. Relaxar e gozar.

Tem livros que deixam a gente por dias e noites desacordados, sem vontade de sair da cama, com as pernas fracas e com o coração em frangalhos. Achei melhor reagir a essa minha deficiência e tentar escrever algumas impressões tão mal cheirosas quanto a Lagoa de outrora. Sei o quanto somos pequenos quando estamos diante de um livro extraordinário. Nos confundimos com personagens que definitivamente não somos nós e sofremos com esse castigo. Acho que todo mundo que leu esse livro de alguma forma se confundiu com Lavínia. É inevitável como ela suspira o doce e o amargo da vida. Mistura sol e chuva. O consolo? Não tem. Temos que viver desonestamente para tentar comprar um humilde livro caro pracaralho e que mudará nossas vidas.
Volto perigosamente meio molhada, suja e suada. Ainda confusa e com as pernas bambas, mas agora mais grossas do que antes e com o gosto de sangue na boca porque sei que quando voltar ao meu mundo metro quadrado Lavínia ainda estará lá.
Texto livremente inspirado na personagem Lavínia do livro EU OUVIRIA AS PIORES NOTÍCIAS DOS SEUS LINDOS LÁBIOS de Marçal Aquino.

domingo, 4 de janeiro de 2009

A MISSÃO


Todo ano é a mesma coisa, rola aquela dedicação básica de atualização da agenda telefônica. Retomamos a agenda velha na intenção de resgatar os soldadinhos de oito dígitos que salvam nossas terríveis e miseráveis vidas de freelances!

Páginas vão, páginas vêm e se você é uma das únicas pessoas organizadas nesse mundinho contemporâneo de meu deus, conseguirá achar todos os telefones e recolocá-los em seu devido lugar. O que não necessariamente quer dizer que em ordem de preferência...

Mas se você é daquelas pessoas que saem jogando os contatos pela agenda à fora sem o menor critério, corre o sério risco de ter que dedicar um dos seus primeiros dias do novo ano a despistar dos seus olhos os números inúteis que passaram por critérios de vida ou morte pelas suas anotações!

Claro que sem contar com os telefones úteis que se transformaram em inúteis e que como toda pessoa esperançosa que és, você dará crédito e os anotará na lista dos indevidos, pois podem vir a se tornarem úteis novamente. Vai, persistência é a parada!

E você não é burro o suficiente de jogar fora números descompromissados
que futuramente podem vir a salvar sua vida! Magina!

Afinal, todo telefone inútil pode vir a se tornar útil em fim de noites chuvosas. Vale dar aquela conferida também nos telefones anotados nos domingos e feriados, para não perder de vista as alegrias corriqueiras do ano que se findou.
dedicado a amiga e donzela Poliana Paiva.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Plano Sequência


















Do ônibus pro trem rumo ao subúrbio. Casas de muro baixo, algumas ainda inacabadas diante dos trilhos. Pela plataforma da estação da Penha avisto o horizonte e percebo pixações em picos sagazes.

Um vagão escuro retém vidas infladas de caos como biscoito de polvilho. Permaneci quase toda a madrugada pensando no estrago que o amor faz na gente. Desço na estação Riachuelo.

Eu sou o rei do mundo agora, grita um muleque visceral e magricelo, ao subir num cotoco de cimento que algum morador da região ousou fazer para barrar o estacionamento de carros vizinhos em sua calçada. Mal sabiam que ali começava mais um grande momento de delírio...
Estou na espreita do antídoto contra esse veneno tão furioso que é a paixão. A delícia de se estar bem e querer bem. Sou inflamada e inflamo.

Enquanto espero de volta o ônibus, um homem dança break para integrar seu corpo a rua, enquanto seu caminhão descarrega entulho. Chove aqui faz semanas, o país inteiro encontra-se alagado, sufocado. Lavínia mexeu comigo, que me desculpe as outras. Talvez porque ela consiga suprimir de mim todo o amor possível, talvez porque ela seja tão louca quanto cada um de nós. Talvez porque seja insanamente desejada. Talvez, por que Lavínia exorcizou meus fantasmas.

Corro com minhas retinas cultivando observar cada detalhe.
Já é natal e todos esperam ansiosos por um ano novo menos dolorido. Menos eu.
Qualquer um de nós pode desejar coisas profanas, mas o maior êxito é manter o mistério.
Talvez pela consumação intensa do amor em meu corpo, vou criando anticorpos contra impossibilidades, espero ápice e declínio. Ninguém vive impune a isso.

Como carne no açougue, penduro as expectativas para 2009.
Prefiro continuar meu plano sequência do que cortar a cena no ápice.